terça-feira, 29 de junho de 2010

Detesto Copa do Mundo!

Detesto Copa do Mundo! E isso é um fato! Detesto futebol! E este é outro fato! E ainda por cima, moro no país do futebol... Fazer o quê?

A cada quatro (e por cinco vezes já vivenciei isso!) não entendo a Copa do Mundo! Semanas antes do esperado evento as pessoas começam a se unir e reunir: parentes voltam a se falar, vizinhos não mais possuem desavenças um com o outro. Cães e gatos ficam amigos, se vestem de verde e amarelo, vestem suas ruas, suas casas, seus cães e gatos, tudo, de verde e amarelo e esperam pelo grande dia. A abertura da Copa? Não. O primeiro jogo do Brasil.

E o dia tão esperado enfim chega. E chega com tudo! Não sei como o primeiro jogo da Seleção Canarinho na Copa do Mundo ainda não virou feriado nacional. Porque aqui tudo é motivo de feriado – como dizem as más línguas!... – e não vejo por que esse dia também não é. Seria um feriado quatrienal, como o ano bissexto ou a Bienal do Livro. Você sabe que ele vem e só tem que esperar um pouquinho por ele.

Aí o jogo chega e o país pára. Pára mesmo! Uma ou duas horas antes do bendito jogo as pessoas (de sorte) são liberadas de seus trabalhos, de suas aulas no colégio e na faculdade. Para quê trabalhar ou aprender algo enquanto onze homens num campo, e mais não sei tantos no gramado, correm para enfiar a bola no gol? Para quê trabalhar?

Não discrimino a profissão dos senhores jogares de futebol. Se eles não o estivessem fazendo, com certeza eu o estaria, porém esta habilidade com os pés nosso senhor G-zuzinho não me deu... Fazer o quê?

Mas onde parei mesmo? Sim, o país pára. Lembro-me que no primeiro jogo deste ano, se não fosse a corona abençoada de um amigo ao sair do trabalho, não sei se teria chegado em casa para ouvir a gritaria do segundo tempo de jogo. Porque no primeiro jogo qualquer “olé” é uma gritaria, convenhamos! “Kaká passa para Quequé, que revida para o goleiro e que lança a bola para Rikyelmersony, que perde para o alemão! Ahh!!”

“Ahh!! Foi por pouco...” Lamenta-se a dona de casa, por entre pratos de salgadinhos e cachorros quentes que está a preparar para a criançada. Ela nunca sequer assistiu futebol na vida! Rikyelmersony? Pensou que fosse o videogame novo do filho. Mas ela torce, ela vibra, com se sua vida dependesse daquilo. E por que faz isso? Por que fazemos isso? Porque é Copa do Mundo. O futebol tem esse poder de lavagem cerebral... A cada partida da Copa impressiono-me.

O futebol. Está aí o centro de tudo. Como algo tão bobo consegue capturar a atenção e a vida de tantas pessoas, muitas vezes bastante inteligentes – como o povo brasileiro – , de maneira tão unânime e abarrotadora? Acredito que milhares de pessoas já devem ter se questionado sobre isso e aqui vai minha hipótese: acho que tudo tem a ver com as mãos. Nossas mãos nos trouxeram até onde estamos hoje, no topo da cadeia evolutiva. Nosso polegar opositor nos trouxe, para ser mais claro. Tirando o goleiro, quem se utiliza do polegar opositor no futebol? Na essência da coisa as mãos não servem para nada. Nada que as regras do futebol permitam, pelo menos. E também podemos correr. Pronto. Acho que decifro o segredo desse jeito. Correr e usar as mão nos tornaram quem somos hoje depois de milhões de anos de evolução! O que o futebol faz é aliar isso a uma prática que remete à satisfação e ao prazer da vitória. Ou seja, nos transporta diretamente para a origem mais animal do mundo! Voltamos para o início de nossa evolução dentro de campo.

Não quero, por favor, soar preconceituoso para com aqueles que se afeiçoam pelo esporte, mas apenas me pergunto para aonde isso nos leva. Toda essa mobilização, toda essa paixão. Se somos capazes de mover mundos e fundos por um grupo de pessoas empenhadas em colocar bolas dentro da rede com auxílio de seus pés, por que não mover os mesmos mundos e os mesmos fundos por aquela criança para quem a Copa talvez nunca aconteça? Ou por aquele velho para quem a Copa já não volta mais? Ou mesmo por algo mais próximo de nós, talvez por nós mesmos, que já não vemos mais o real significado de mover mundos e fundos?

Nenhum comentário:

Postar um comentário