Muito bem disse nossa querida Bey quando fez esse pedido desesperado às mulheres solteiras de todo o mundo. Mal sabia ela o grande favor que acabava de fazer a todas elas ( e por que não a todos nós?) ao levantar essa bandeira do “Assuma Sua Atual Condição Matrimonial”.
Você já parou pra pensar a quanto tempo está solteira? A quanto tempo está sem ninguém? Faço esta pergunta as minhas amigas do sexo feminino e também aos meus companheiros que ainda não arrumaram seu bofe. Mas não falo de qualquer bofe, mas sim daquele bofe de fé, aquele que vai ficar com você pra sempre e que além de transar com você, vai pegar na sua mão, com um bom bofe deve fazer.
Arrumar alguém nos dias de hoje está cada vez mais difícil. Melhor, deixa eu refazer, arrumar alguém decente nos dias de hoje está cada vez mais difícil! Acho que é a globalização. Estamos cada vez mais distantes à medida que parecemos nos aproximar.
É bem sabido que arrumar alguém é um desejo de todos os meninos e meninas que existem na face desse planeta. Pelo menos os não assexuados pensam assim, ou algum dia pensaram ou pensarão. Ter alguém significa muitas coisas: satisfação para o Ego, pois provamos para nós mesmos que não somos os únicos a gostar de nossa pessoa, sabemos que temos alguém, ainda que virtualmente, com quem podemos contar e também alguém para quem podemos contar. Contar como foi o dia, contar que o chefe é um saco ou que o espelho do banheiro parece estar com defeito. E a mais primordial das coisas: podemos mostrar para o mundo que encontramos o nosso Adão, aquele que nos deu sua costela e que nos faz sentir mais humanos a cada dia.
Mas até onde encontrar alguém transpõe o nível de realização pessoal e passa a fazer parte de um dogma da aceitação social? É preciso não ser solteiro para fazer parte da sociedade contemporânea? Carrie grita dentro e fora de mim neste momento, mas o que fazer? Ainda que em ascensão, precisamos de nossas inspirações!...
Estabilizar-se com alguém causa exatamente isso, sensação de estabilidade. Mas não deveríamos ser estáveis, primordialmente, sozinhos? Até onde o outro nos ajuda a nos encontrar-mos?
Tenho percebido durante minhas idas à vida noturna carioca a ânsia com a qual alguns meninos e meninas procuram seus partners. É incrível como os olhares de todos (ou pelo menos o meu!) se voltam para os casais que entram e saem de qualquer lugar. Acho que nossos olhares e pensamentos vão mais além de sentir-se estável ou completo, mas chegam ao campo do “Como isso é possível hoje em dia?”.
Nossas vidas nos transformam em seres que não são. Não somos nós mesmos, não somos quem queríamos ser, não somos nem mesmo o que possamos não querer ser. Somos frutos da velocidade. Da velocidade dos carros, da velocidade com que gastamos nosso dinheiro, da velocidade de como o tempo passa diante de nossos monitores...
Concordo que desse modo realmente nos perdemos em nós mesmos e quando conseguimos estar com alguém já não nos vemos e conforme vamos nos “descobrindo” e “transformando” pela velocidade do envolvimento com o outro, já não nos reconhecemos.
Daí os olhares para os casais. “Eu não quero seu marido, eu quero você! Na verdade quero a mim mesmo, como você parece ter a si mesmo.”
Estar com alguém pressupõe ter total domínio de quem você é. Estar com alguém é ter certeza de si, é compreender seu Ego e saber quais os limites do Eu. Estar com alguém talvez viabilize isso. Talvez por isso que quanto mais velhos ficamos menos nos queremos uns aos outros. Somos tudo menos nós mesmos conforme o tempo passa e pra quê ficar com alguém que não dá pra realmente saber quem é? Nossa, até eu me embolei nessa, mas já começo a me entender, if you know what I mean...
Então, ser ou não ser, casar ou não casar, eis as questões.
E novamente, então, all my single ladies, até quando queremos ser single, mas não single sem um anel no nosso dedo, mas single de nós mesmos?
É...single ladies... muito real o seu texto... Vamos esperar que o amor bate a porta! Bjs, Samantha Jones.
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